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UMA PRIVADA PRA CHAMAR DE MINHA

Ao longo da minha desastrada vida, eu venho colecionando uma série de conquistas, vacilos, paixões e desafetos. Nunca tive medo de tentar, tão pouco, de errar. Se eu coloco uma coisa na cabeça, eu faço. Sempre foi assim. Coloquei na cabeça que queria ser publicitário, consegui um estágio não remunerado que me abriu as portas para uma profissão onde permaneci por 15 anos. Assumi as funções de desenhista de storyboard, diretor de arte, redator, atendi diversos tipos de clientes, até que fiquei completamente de saco cheio e larguei tudo. Bateu vontade de respirar novos ares. Fui estudar jornalismo, mesmo sabendo que o cenário da profissão era apocalíptico. Colaborei com diversos veículos de comunicação num período em que minha vida se resumia a cobrir crimes, acidentes de trânsito e manifestações. Foi uma fase difícil, onde seis garrafas de cerveja não eram suficientes para me fazer dormir. Abandonei o jornalismo e decidi levar minha experiência profissional para dentro da sala de aula. Cursei Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior, ministrei palestras e oficinas, mas antes de assumir oficialmente o cargo de professor fui rejeitado pela Universidade por ser considerado um pouco fora dos padrões do magistério tradicional. Paralelamente a tudo isso, eu sempre mantive meu trabalho autoral como cartunista, publicando charges e quadrinhos em jornais, revistas, livros didáticos e tendo uma tira distribuída internacionalmente pela agência alemã Bulls Press. Influenciado pela literatura de Charles Bukwoski e Hunter Thompson, criei o personagem Biff Bunny, um coelho canastrão que não tem medo de falar o que pensa e adora jogar merda no ventilador. Utilizo o personagem para debochar de tudo que me incomoda, seja na forma de cartum e quadrinhos, ou nos grafites que faço pela cidade. Após anos rabiscando muros e papel, decidi compartilhar minha arte de forma mais intimista e virei tatuador, profissão que exerço atualmente. Porém, como já deu pra notar, eu to sempre querendo me ocupar de alguma forma e os momentos de tédio me levaram a criar esse blog. Não só pela necessidade de ocupar o ócio, mas também, para ter um canto pra chamar de meu. Um espaço onde eu dito as regras da forma que achar melhor. Uma espécie de privada, onde eu sou o único que pode cagar, mijar e vomitar. Portanto, sinta-se à vontade para perder seu precioso tempo aqui. Mas, por favor, sem grandes pretensões. Afinal de contas, a privada é minha.

Felipe Attie

Um comentário:

  1. Parece que conhecer o amor e a dor te fez bem. Ao trabalho, ao menos. A escrita amadureceu. Ainda dá pra te enxergar nos textos, mas com mais lirismo e menos exposição - que fazia com que parecessem meras páginas de um diário adolescente. Volto a te ler com o prazer de dez anos atrás. Não que isso importe.
    “Boa sorte, garoto!”

    Sempre sua crítica mais implacável.
    Sempre sua maior fã.

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