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QUERO MAIS QUE UM CARTÃO POSTAL

Sabe aquele papo de “eu nunca encontrei meu lugar no mundo”? É mais ou menos isso. Seja nos empregos por onde passei, nos lugares que visitei ou nos corações que conquistei, eu nunca me senti à vontade. Essa é a real. Mas, de uns tempos pra cá, minha insatisfação com o Rio de Janeiro, minha cidade natal, vem crescendo de forma alarmante. A impressão que tenho é a de que minha existência não traçou um plano de voo. O destino me largou de qualquer jeito, num lugar qualquer e disse foda-se.

Eu nunca consegui acompanhar o ritmo do Rio de Janeiro. Essa vibe de Praia, Bar, Pegação & Balada! sempre me encheu o saco. A rotina do carioca parece ser um eterno looping de “vamos todos reclamar da segunda-feira!” e “aonde vamos beber final de semana?”. Nada contra. Pelo contrário, sou do tipo que não nega cerveja. Mas, no Rio, tem sido mais fácil encontrar cerveja boa, gelada e barata, do que alguém interessante pra te acompanhar na bebedeira.

Atrações, pontos turísticos e tudo mais que é considerado diversão e lazer, só serve pra ilustrar cartão postal. Na verdade, a cidade do Rio sempre foi como um cartão postal: é muito boa em deslumbrar quem nunca esteve nela ou quem vem a passeio. Mas antes que possa imaginar, a magia vai ruir e você concluirá que está na hora de fazer as malas. Não vou citar a violência, porque não quero soar enfadonho. A criminalidade e o caos carioca deixam a cidade similar a uma partida de GTA. Não é raro ouvir reclamações do tipo “Não aguento mais esse lugar!” e “Gostaria de fugir dessa merda de cidade!”. Isso, de certa forma, é reconfortante. Você se dá conta de que o problema não é pessoal.

Então, meus colhões explodiram e levaram junto minha paciência e esperança. Decidi arrumar as trouxas e passar um tempo em São Paulo. Pode não ser o melhor lugar do mundo. Mas, pelo menos, é uma merda diferente. Às vezes, precisamos respirar novos ares, mesmo que sejam repletos de poluição e monóxido de carbono. A princípio, não é uma decisão permanente. Mas, independente do meu CEP futuro, não sei se voltarei a ter estômago pra digerir a Cidade Maravilhosa. Portanto, a solução que encontrei foi essa. Afinal, se existe uma coisa que aprendi nessa vida é: se algo te incomoda, mude-o ou descarte-o. Infelizmente não sou capaz de mudar o Rio. Só me restou fugir.

Felipe Attie

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