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A VIDA É REPLETA DE POSSIBILIDADES

Eu nunca gostei de estudar. Sempre fui um aluno preguiçoso de postura irresponsável e notas medíocres. A vida acadêmica nunca fez o meu tipo e eu nunca tive problemas em assumir isso. Mas frequentemente, quando a minha situação financeira aperta e sou forçado a catar moedas para comprar cerveja, eu me pergunto se as coisas estariam melhores para o meu lado se eu tivesse levado os estudos mais a sério. Então eu reflito sobre o período que passei dentro da faculdade e, automaticamente, me lembro dela: Camila Verdana, a professora que me ensinou o significado da palavra paixão.

Conheci a professora Camila no terceiro período da faculdade de jornalismo e logo que a vi entrar na sala de aula, eu soube que iria casar com ela. Lógico que eu estava errado. Mas vontade não me faltou. Ela era tão... tão... tão... “Esquisita!”, disse uma amiga, certa vez, enquanto conversávamos a respeito. “Como pode, alguém sentir atração por Camila Verdana?” Pois é, eu sentia. E minha amiga não era a única que parecia não entender minha paixão. Eu mesmo nunca entendi.

Nada era capaz de frear minha admiração por Camila, nem o seu corpo magro e encurvado, nem seus cabelos alisados e ressecados, tão pouco sua voz levemente abalada pela rouquidão. De alguma maneira inexplicavelmente bizarra, ela fazia eu me sentir como um garotinho dos tempos de escola, nutrindo aquela utópica paixão pela professorinha tradicionalmente chamada de Tia. Lógico que, quando se está na faculdade, as chances de você ouvir alguém chamando a professora de Tia são tão remotas quanto às de você fumar um baseado com ela. Mas a vida tem o talento nato de nos surpreender...

Foi num dia após a aula, enquanto conversávamos sobre Hunter S. Thompson e sua obra embriagada de álcool e drogas, que ela me perguntou se eu fumava. Esse é o tipo de pergunta que não se espera ouvir de uma professora. Afinal, eu sabia muito bem sobre qual fumo ela estava se referindo. Minha resposta foi um tímido sim com a cabeça. Então como num passe de mágica, ela meteu a mão na bolsa e puxou um cigarro de maconha do tamanho de uma caneta.

“Tá afim?”, perguntou sorrindo.

Eu só posso estar sonhando, foi o que pensei, ao me ver dentro do carro da Tia Camila, fumando um caprichado cigarrinho do capeta ao seu lado.

O papo havia começado com alguma coisa relacionada a Jornalismo Literário — disciplina que ela lecionava — e, aos poucos, foi tomando outro rumo, indo parar num terreno um pouco mais delicado...

“Tudo pode acontecer”, ela me disse, soltando fumaça. “A vida é repleta de possibilidades. E é isso que a torna maravilhosa, não é mesmo?”

“Verdade”, concordei, suspirando. Ela é linda, era só o que eu pensava, enquanto olhava para seu rosto.

“Você acha que eu nunca notei?”, ela me perguntou, olhando fixamente nos olhos.

“Notou o quê?”

“O jeito como você me olha durante as aulas?”

“Como?”

“Isso mesmo que você ouviu. Achou que eu não fosse perceber?”

“Como assim? Do que você tá falando?”

“Do jeito que você me olha. Exatamente como está me olhando agora.”

Er... Ok! Essa é uma boa maneira de fazer um aluno confessar algo: drogando-o. Mas, o que viria a seguir? Será que existe alguma punição para alunos que são apaixonados por suas professoras?

“Acho que um pedido de desculpa não se encaixa nessa situação”, resmunguei envergonhado e puxei o máximo de fumaça possível, forçando um desmaio que me livrasse daquela condição.

“Eu gosto.”

“COF! COF! URGH! COF! ROOUF! COF! COF! COF! Como?”

“Isso mesmo. Eu gosto. Toda mulher gosta de se sentir desejada.” E nesse instante, ela se aproximou de mim afagando meus cabelos ensebados e me beijou.

Foi fácil, pensei. Muito fácil. Tal facilidade me fez questionar se, durante todo o semestre, eu havia tido aula com uma ninfomaníaca, maconheira, viciada em traçar alunos babacas como eu — o que, durante curtos instantes, quebrou parte do encanto que eu nutria por ela, uma vez que sou o tipo de pessoa que valoriza mais a batalha do que a conquista. Mas, OK, OK... Eu estava dentro de um carrão, fumando um ótimo baseado e beijando a minha professorinha... Que direito eu tinha de reclamar, não é mesmo? Não transamos. Mas pelo seu beijo, eu pude ter uma leve noção de como deveria ser seu boquete.

Na semana seguinte, ela foi morar na Inglaterra com o noivo. Nunca mais nos falamos. Tentei me corresponder via e-mail, mas não tive retorno — não deve ser legal manter contato com um passado errôneo, uma vez que se está em outro país, vivendo outra vida.

Agora, ela deve estar casada e não gosto de ter esses pensamentos. Pois eles sempre vêm acompanhados da imagem dela descabelada, apoiada no fogão, com significantes quilos a mais e gritando com duas crianças irritantes que não param de correr pela casa. Enquanto isso, eu continuo com a minha vida. Fui demitido de mais um emprego. Comecei a escrever um livro. Talvez, ela se torne uma das minhas personagens. Talvez, eu publique. Talvez, ela leia. Ou talvez, nada disso aconteça e eu continue aqui, catando moedas para comprar cerveja. Quem pode garantir? Afinal, a vida é repleta de possibilidades. E é isso que a torna maravilhosa, não é mesmo?

Felipe Attie

3 comentários:

  1. Texto ruim. O que te leva a acreditar que a sua professora universitária, casada, se encontra agora descabelada, apoiada no fogão e mais gorda? Bem machista isso, além de ruim.

    A gente sabe que isso é só uma narrativa, pode ser, ou nao fantasiosa, mas nao deixa de pegar mal.

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    Respostas
    1. Ruim é alguém se prestar a opinar de forma negativa, mas não ter culhão pra assinar o nome e dar a cara a tapa. A internet tem muito disso. Texto foda! Sou mulher e não vi nada de machista. Ele apenas descreveu uma possibilidade com um toque de humor. Se a professora tá casada, gorda ou bem sucedida, isso é o que menos importa na leitura. Cambada de babacas covardes politicamente corretos.

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  2. Como se assinar aqui com meu nome me tornasse menos anônima.

    Vai tomar no cu, Ellen

    Camila

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