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UM DIA COMO OUTRO QUALQUER

Hoje é sexta-feira 13, o dia que todos escolheram para ser responsável pelos seus fracassos. É culpa do azar. É sempre culpa do azar. Enquanto sigo frustrado com a mesma velocidade de uma charrete puxada por um cavalo manco, permaneço fiel os meus ideais, o único responsável pelas minhas derrotas. Aonde foi parar toda aquela gente honesta com colhões rígidos o suficiente para assumir seus próprios erros? Eles fugiram. Estão escondidos atrás de discursos medíocres e desculpas esfarrapadas. Sinto-me como o último exemplar da minha espécie. Olho no espelho e me deparo com uma linhagem em extinção. O último nativo de uma ilha destruída, o último peixinho barrigudo de um riacho que virou valão, um besouro sobrevivente de uma floresta carbonizada.

Nunca fui alguém de grandes acertos e conquistas. Mas sempre fui bom em reconhecer meus tropeços. Meu dedão já está acostumado com as topadas que a vida me oferece conforme avanço lentamente pelo caminho que eu mesmo escolhi. Sou alguém de poucas vitórias. Mas, os poucos troféus que exibo na estante da consciência, eu fiz questão de levantar sozinho. O mais importante deles ostenta uma placa que diz: “Minhas derrotas são consequências das minhas escolhas”. A vida é bem mais simples e fácil, quando não se tem a quem culpar.

Hoje é sexta-feira 13, um dia como outro qualquer.

Felipe Attie

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