NÃO CONCORDO COM O PAUL

Estou aqui, escrevendo idiotices, ouvindo Beatles e me alimentando de café. Afinal, nada mais vai me fazer sentir do mesmo jeito que eu era antes de estar aqui, escrevendo idiotices, ouvindo Beatles e me alimentando de café.

As coisas estão cada vez mais absurdas. As pessoas estão enlouquecendo num ritmo assustador. Nada mais me surpreende. Se tem uma coisa que essa pandemia me mostrou é que somos capazes de cavar cada vez mais fundo a nossa própria cova. Estamos caminhando rumo à insensatez.

Tem aquela galera que diz que o problema do mundo é a falta de amor. Não concordo. Não acho que a ausência de amor seja responsável por tudo isso. Nem acho que tenha algo de errado com o mundo. O problema tá no ser humano. O mundo tá de boa. Nós é que estamos fudidos. Talvez, não pela falta de amor, mas por esperar muito dele.

Não sei qual foi o idiota que decidiu vincular o amor ao coração, o órgão vital do corpo humano. Acredito piamente que, se crescêssemos achando que o amor tem a ver com o apêndice, com as sobrancelhas ou com qualquer outra parte dispensável do nosso corpo, criaríamos menos expectativas e seríamos mais felizes.

Paul McCartney disse, um dia, que o amor que você dá é igual ao amor que você recebe. Também não concordo. Acho que as pessoas amam na esperança de serem amadas da mesma forma, mas poucos alcançam tal objetivo. Todo mundo gostaria de receber da pessoa amada aquilo que faz pela pessoa amada. No fundo, todos nós esperamos que a justiça afetiva seja feita. Mas isso raramente acontece e muita gente acaba frustrada e com dificuldade de aceitar. Acho que o aumento de crimes passionais confirma essa minha opinião. Portanto, esse papo de que o amor que você dá é igual ao amor que você recebe, Paul McCartney que me desculpe, mas eu discordo.

É um tanto irônico eu discordar do Paul. Pois os Beatles foram uns caras que souberam falar muito bem sobre o amor. Aliás, eu não sei sobre o que mais eles falaram além do amor. As pessoas só falam disso. É amor no cinema, amor na literatura, amor na música. Falamos de amor mesmo quando não falamos sobre o amor. Estamos sempre arrumando um jeito de envolvê-lo em tudo que fazemos. Isso sim é um problema. Afinal, não é por causa do amor que existem ditadores sádicos, fanáticos religiosos ou o prêmio Nobel?

Enfim, deixa pra lá. Não quero mais falar de amor. No momento, eu só quero permanecer aqui, escrevendo idiotices, ouvindo Beatles e me alimentando de café. Afinal, nada mais vai me fazer sentir do mesmo jeito que eu era, antes de estar deixar aqui, escrevendo idiotices, ouvindo Beatles e me alimentando de café.


Imagem: Arquivos Google

Felipe Attie